Fumo Passivo

 


O que é fumo passivo?


Fumo passivo é a inalação por não-fumantes da fumaça da queima de produtos derivados do tabaco, como cigarro, cigarro de palha, cigarro de cravo, cigarrilha, charuto, cachimbo e narguilé. É também chamado de tabagismo passivo e de exposição involuntária ao fumo ou à poluição tabagística ambiental (PTA). Segundo a Organização Mundial da Saúde, a PTA é o principal agente poluidor de ambientes fechados e o fumo passivo é a 3ª maior causa de morte evitável no mundo.


É comprovado que faz mal à saúde?


Sim, não há dúvida que o fumo passivo é prejudicial à saúde. Existem efeitos agudos e crônicos advindos da exposição à poluição tabagística ambiental (PTA). Os efeitos imediatos incluem irritação dos olhos e nariz, dor de cabeça, dor de garganta e tosse. Os bebês têm 5 a 6 vezes mais risco para a síndrome da morte súbita infantil. As crianças cronicamente expostas apresentam maior incidência de infecções do ouvido médio, redução do crescimento e da função pulmonar, aumento da freqüência de tosse e chieira, aumento da ocorrência de doenças respiratórias, como pneumonia, bronquite, além do desenvolvimento e agravamento de asma. Em adultos, constata-se um risco 30% maior de câncer de pulmão e 24% maior de infarto do coração em não-fumantes expostos ao tabagismo passivo. Também causa câncer de seios da face, desenvolvimento e agravamento de bronquite crônica e enfisema. Estudos de caso-controle sugerem que o tabagismo passivo pode estar associado ao câncer de mama nas mulheres pré-menopausa.


Ventilação é a solução?


Não. Embora possa contribuir para o conforto no local, a ventilação não elimina os diversos componentes tóxicos da PTA: a fumaça ambiental de tabaco possui 60 substâncias cancerígenas e seis substâncias capazes de provocar mutação genética, sendo por isso classificada como carcinógeno humano do grupo 1, não havendo níveis seguros de exposição. Segundo a Sociedade Americana de Engenheiros de Aquecimento, Refrigeração e Condicionamento de Ar (ASHRAE), que é o órgão de referência dessa área da engenharia, "nenhuma tecnologia de engenharia de ventilação atual demonstrou controlar os riscos impostos pela exposição à PTA, apenas reduzi-los e controlar questões de conforto relacionadas ao odor e à irritação sensorial".


Proibir o fumo em locais fechados fere a liberdade individual de quem fuma?


O fumante quer ter preservado seu direito de fumar, porém o não-fumante quer preservar seu direito de respirar ar não-poluído pela PTA. A ACT entende que não se deva proibir o fumo, mas sim proibi-lo em locais fechados, onde já é comprovado que prejudica a saúde do não-fumante.


A proibição de fumar em locais públicos e fechados é bem aceita por fumantes e não-fumantes em todos os países onde foi adotada. Em pesquisa realizada em 2008 pelo Datafolha, verificou-se que 82% da população brasileira é totalmente contra o fumo em locais fechados.


E a liberdade individual?


Convém lembrar que o argumento de que fumar é um ato de escolha e liberdade individual é amplamente difundido pela indústria do tabaco e faz parte de sua estratégia de marketing associar esta questão ao produto. A verdade é que o cigarro é uma droga, da qual a maior parte de seus usuários torna-se dependente, e que causa riscos à saúde também de não-fumantes. Por isso, há necessidade de proteção à saúde da população em geral, em nome do bem comum, da coletividade.


Proibir o fumo em bares e restaurantes acarreta prejuízos econômicos para o estabelecimento?


Não há nenhuma evidência científica de que a proibição de fumar em ambientes fechados resulte em perdas econômicas. Estudos independentes feitos em Nova York, na Irlanda e no Canadá (entre outros) demonstram que a freqüência nos locais permaneceu estável e/ou aumentou. Os únicos estudos com resultados diferentes foram patrocinados pela indústria do tabaco.


Eu, empregador:



Você deve incentivar programas de cessação do fumo em sua empresa, pois 97% dos tabagistas necessitam de auxílio de profissionais de saúde especializados na questão. A nicotina causa dependência e deixar de fumar não é apenas uma questão de escolha e, muitas vezes, exige apoio especializado.


Saúde 


O tabagismo ativo é considerado a principal causa de morte potencialmente evitável em seres humanos. Na composição de produtos fumígenos existem diversas substâncias tóxicas e muitas delas cancerígenas.


Na experimentação, onde se dá o primeiro contato com o fumo, é freqüente a percepção de mal-estar, tontura, tosse, causados pelas substâncias irritativas presentes em cigarros e na fumaça de tabaco. Com a persistência no uso se desenvolve a tolerância e também a dependência ao cigarro.


A nicotina é uma droga psicoativa que atinge o cérebro em oito segundos após a primeira tragada. Ela é a grande responsável pela dependência, pois age sobre o sistema nervoso central e produz prazer, o que induz ao consumo e à perpetuação do ato de fumar.


Fatores psicológicos e sociais também são importantes neste processo, contribuindo para a complexidade e intensidade do quadro de dependência. Assim, com o uso regular de cigarros, estabelece-se um condicionamento que faz com que a pessoa passe a ter o fumo integrado à sua rotina. Além disso, o cigarro é também utilizado como um tipo de modulador de emoções, o que faz com que seu uso se amplie significativamente e não esteja associado apenas à necessidade fisiológica de reposição periódica da droga.


Daí a dificuldade que muitos fumantes têm ao parar de fumar. Além de enfrentarem sintomas de abstinência, precisam aprender a viver sem o cigarro, em geral após anos de tabagismo.


Apesar de ser um desafio, a cessação é determinante para a saúde do fumante. Existem dezenas de doenças tabaco-relacionadas, ou seja, causadas ou agravadas pelo fumo, e muitas delas são letais.



Justificam-se portanto os esforços em desenvolver medidas de apoio à cessação do tabagismo. Aliados à determinação pessoal, os tratamentos hoje disponíveis (combinando medidas farmacológicas e não-farmacológicas) podem contribuir para o abandono definitivo do cigarro.


Fonte: http://www.actbr.org.br/tabagismo/fumo-passivo.asp